O Trabalho ou a Família?

 Gostaria de discorrer sobre esse tema, apesar de não ser um especialista (muito longe disso), mas penso que seja algo de extrema importância tanto para àqueles recém chegados no mercado de trabalho, quanto para os que estão a mais tempo na ativa. Na verdade, a intenção é compartilhar algo que tenho percebido e mesmo com pouca idade (meus quase 32 anos) quero trazer como um alerta para os nossos dias, afinal, quem de nós nunca ouviu a pergunta sobre prioridades entre trabalho e família?

Primeiramente entendo que essa não é uma questão que ocorre devido ao cargo ou tipo de empresa, pois tenho passado por algumas empresas durante minha carreira, de pequeno e grande porte e, quando comparamos o trabalho com a família, independentemente do porte da empresa, cargo, vejo que a família fica em segundo plano.

Desde funcionários do chamado “chão de fábrica” quanto aos altos executivos, muito deles ficam até “horas a fio” no trabalho, com o pretexto de um projeto, reunião, preparação de viagem, hora extra, leitura de correio eletrônico, etc.

Em um dos casos que vivenciei, um funcionário da produção, de tanto trabalhar, teve problemas de relacionamentos na sua casa, com sua esposa e filhos, pois só pensava em trabalho e quando estava em casa, dizia que estava muito cansado para os filhos e esposa e como fuga do seu estresse, tinha que sair de casa para poder descansar para “relaxar”, enquanto isso, a sua família sentia a sua falta, e quando a cobrança era feita pelos familiares, as diversas desculpas surgiam: “estou ganhando dinheiro com as horas extras, é uma oportunidade”, “é um projeto importante”, “não posso deixar de estar presente”, etc.

As diversas desculpas sempre justificando sua ausência, e em muitas conversas que tive com este colega, eu perguntava a ele qual era a prioridade dele, e ele sempre dizia que era a família.

Em um determinado dia, tive que intervir, a pedido da esposa, pois o trabalho o estava consumindo, os filhos estavam sentindo ausência do pai, e a esposa do marido. Fui então conversar com o meu colega, o que no momento surtiu efeito, mas depois, lá estava eu conversando com a esposa tentando convence-la a não se separar dele e pouco tempo depois, ligando para a casa da mãe dela, a pedido do meu colega, para que ela voltasse para casa, dando mais uma chance ao relacionamento.

Alguns outros casos desse tipo aconteceram como este, uns mais críticos e outros menos, mas uma coisa todos eles tinham em comum, as justificativas e sempre as mesmas respostas quando perguntado qual a prioridade na vida deles, se a família ou o trabalho.

Sei da importância do trabalho, seja como fonte de renda ou como fonte de realização (é verdade, para alguns o trabalho é uma realização), mas onde estamos indo, para onde vamos, e quando vamos realmente viver dentro de nossas prioridades?

Quando meu pai chegou ao Brasil, em 1974, ele deixou a família no seu país de origem para trabalhar aqui. Naquela época, pouco tempo depois de sua chegada, teve o apoio da empresa que trabalhava para trazer meus irmãos e mãe ao Brasil. Parecia que as empresas antigamente eram mais humanizadas e os trabalhadores conheciam a importância da família ao seu lado. Quando sento com meu pai para conversar, vejo como era o mundo do trabalho há três décadas atrás, e noto a diferença.

Não quero de maneira nenhuma dizer que as empresas são responsáveis pela inversão de valores e prioridades ou qualquer coisa do tipo, mas vejo que muitos de nós perdemos a percepção da importância da família na nossa vida a ponto de quando sabemos de um caso onde um profissional opta pela família e a qualidade de vida, o assunto vira matéria de revistas.

Eu não sei a receita ou o segredo para evitar que essa inversão de valores não ocorra em algum momento da minha vida, pois algumas vezes já me peguei trocando a posição da minha família pelo trabalho, mas acredito que o mais importante é não perder o foco que, mesmo que em momentos onde o meu trabalho exija mais de mim, e com certeza estarei pronto a corresponder, tenhamos a condição de voltar a olhar para trás e trazer para perto novamente a família para o nosso lado, afinal, se o meu trabalho me faz, algumas vezes sacrificar meu tempo com a família, porque não sacrificar o meu tempo pela família?

Qual a sua prioridade, seu trabalho ou sua família?

Espero que você possa meditar neste texto, e espero poder ter ajudado para poder fazer os olhos voltarem para aquilo que temos de mais importante na nossa vida, a nossa família.

Um abraço,

Felipe Hodar

06-10-2009

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